segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

 

CERTA DÚVIDA

Acho que nem foi a Primavera, ou a chuva, ou a brisa fresca vindo da janela escancarada; acho que não é o jazz que toca baixinho ; acho que não foi culpa de seus olhos cor de infinitos, mar, céu; acho, que não foi que depois da chuva há flores e verdes por toda parte: acho que não foi. E nem foi porque procurei, não, só estava fazendo o que sempre faço, então, você estava lá, bem no rumo do meu caminho.

Não acho que contava com isso daí não achei que fosse verdade, mas o dia amanheceu depois daquela noite; e me conta a toda hora que você aconteceu; e me descubro gostando: das flores e do vede, do céu infinito, de músicas todas, de brisa...

 

NOITE, ME PERDOE

Ah, que me perdoe, a noite... é que o dia amanheceu tão iluminado que vou imitá-lo, vou vestir um vestido branco e uma gota de perfume. Vou prender meus cabelos no alto como menina de antigamente. Vou fazer um café cheiroso para degustar, puro, numa média de porcelana bordada que me lembra a Mamãe. Vou, primeiro, alimentar a cachorra porque ela não tem culpa de o mundo ser o que é. E depois, vou regar as plantas... e o meu dia. Vou cozinhar o que de melhor tiver na geladeira, mas hoje não vou arrumar casa nem tirar lixo, não terei tempo porque vou precisar dele para viver esse dia que raiou numa madrugada fria mas que trouxe um Sol que aquece, aos pouquinhos, o meu mundo, por isso, vou abrir todas as janelas.

Ah, que me perdoe, a noite.

Brasília, DF, 08/06/2017