segunda-feira, 24 de agosto de 2026

 Brigando com o vento

É sabido que mês de agosto venta. Às vezes muito, às vezes pouco, mas este agosto, especificamente, tá teimoso de vento. As plantinhas do jardim de inverno se debatem escandalosamente e as pedrinhas do Jean não sabem onde se colocam pois não há lugar em que fiquem quietas. Das pedrinhas se batendo gosto do tilintar, mas as plantinhas arrebentam folhas, o que não gosto.

Também se debate, pequeno crucifixo sobre o metal do portão dos fundos: tec, tec, tec. O tec, tec também não incomoda vez que é sutil: meu ouvido de onça é que percebe, mas tá tudo bem.

Agora, irritante sem conta é o barulho de folhas secas batendo nesse portão: elas veem rodopiando pela rua afora, hoje vi uma caindo do céu, e batem com força nos vidros. O som do sopapo é creque. Creque agora, creque depois, um, dois, três, eternamente creque se não cato as danadas.

Ao invés de usar pá e botar na lixeira, resolvi pegá-las com as mãos, quebrá-las pequenas e jogá-las nas terras dos vasos de plantas. Claro que não venço o vento, tantas folhas secas ele traz, mas vou economizar em adubação daqui até quando o vendo amainar.

Anteontem, fui ao mercado aqui do bairro comprar leite e ovos. Quase uma “venda” das que vivi quando menina pequena. Não é lugar de comprar muito, mas acrescentei ao cesto, duas garrafinhas de cerveja sem álcool. É que a secura está de adoecer a gente, e como não gosto muito de sucos, a água pura, sagrada, acaba enfastiando. Mas de tudo que vi, me assustou o preço da cenoura: 14,99 reais por quilo. Me acerquei da dita cuja pra ver se era diferente das que compro por 1,99. São os tempos de el Ninho fazendo com que a inconstância do clima detone a produção de alimentos. Ainda sorri, sarcasticamente, imaginando que em época de eleição, vão dizer que é culpa do governo.

Agorinha cedo havia folhas secas batendo nas paredes dos fundos, mas enquanto chequei uma plantinha, estava com água demais, 10 minutos? vi que as folhas do coqueiro de baixo da escada estavam paradas. Observei mais longe, noutros cenários e confirmei: o vento realmente deu uma pausa. Também, né? São “tantas emoções”!

Por

Magda Castro


quarta-feira, 3 de junho de 2026

PAUSA

A lida da casa pega a manhã quase toda, principalmente nos dias de catar lixo. Recolher, limpar, recolocar coletores, acompanha o varrer quintais, limpar pisos de cimento, de madeira, tirar poeiras, que mesmo não seja faxina geral toma boas horas. Isso depois da preparação do café, se sentar pra comer e tomar remédios, depois vem a lavação da louça, preparação inicial do almoço e adiante. E, regar plantinhas leva mais um tico porque cato praga, podo folha seca, giro vaso pro sol; como eu. Não resisto em retirar o agasalho que nesses dias de outono sai comigo do quarto; gosto demasiado de sentir o calor, quanto mais quente melhor, bater na pele adormecida. Proibido é, então faço durar pouco, mas o bastante.

Hoje tentei acelerar essa ciranda poque quis escrever. Essa tarefa estava meio renegada culpa do computador impossível de usar, mas certa alma generosa preparou instrumento que consigo usar; estou inaugurando essa ferramenta: “testando!”

Virginia Wolf escreveu que para se escrever são necessárias certas condições, como lugar adequado, silêncio, dinheiro; do que entendi, se não é isso que ela me perdoe, mas estou tentando me estruturar. Imaginação, do que entendo, é o começo de tudo. Tenho  problema danado com o título do que escrevo, mas vou remoendo ideias até que encontro algo razoável. E desse começo costumo embalar numa contação de fatos misturados com sentimentos que, vez ou outra, resulta na contação de historinha titubeante. Tá, dito assim até parece que o texto tem começo, meio e fim, mas, acredite, nunca termina com a intenção que começou. Porque comigo acontece de as palavras irem se misturando sem consentimento e quando vejo o fim bem que poderia ter sido o começo.

E assim seguirei. Contente.

Por

Magda Castro

Brasília, DF, 29 de maio de 2026.