segunda-feira, 26 de agosto de 2024

 Gestão de carreira: apresentação 

Durante os anos de experiência como professora de curso superior uma dificuldade comum a muitos alunos era quanto à profissão escolhida. Afinal, levando anos estudando determinado assunto, investindo todas as fichas em certo campo de trabalho, tudo tinha que ser bem pensado. Mesmo depois do teste vocacional havia alunos inseguros.

Uma das disciplinas que apliquei foi Gestão de Carreira para Ciências Contábeis. Uma turma específica foi grande desafio: 105 alunos de primeiro semestre apinhados numa sala tipo tubo me obrigou a ficar em pé, girando, no meio do espaço. Se fosse escrever no quadro metade da sala não veria. Se usasse vídeo muitos nem ouviriam e por ai vai. Mesmo assim, o aproveitamento foi tamanho que houve alunos mudando de curso depois.

Costumo pesquisar em diferentes fontes para montar conteúdo de aula ainda mais que o tema interessa a qualquer pessoa não apenas jovens em inicio de vida chegando ao mercado de trabalho. Li artigos em revista de gestão, em sítios da Internet, em livros. Um livro em especial, Estratégia do oceano azul, fala de tese de doutorado apresentada por aluno da Sorbonne, em Paris. Orientadora e aluno publicaram a pesquisa feita entre 50 das empresas mais perenes do mundo todo, aquelas que estão há décadas atuando com lucro e acima do oceano vermelho de tubarões da concorrência. 

A partir do resultado dessa pesquisa, um editor da revista Você S/A adaptou as características dessas empresas a serem aplicadas a pessoas, ou seja, quais são as características da pessoa de sucesso que tem mercado de trabalho garantido por muitos anos e acima dos concorrentes? 

Vem comigo fazer um exercício para identificar as suas características inigualáveis?

Sou Magda Castro, Gestora ambiental com atuação no ensino superior.


sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

 TEMPO, ESSES

Todos os anos aqui em casa o mês de dezembro valia por dois: ainda sem férias que seriam mesmo só a partir de janeiro, tantos compromissos todos tinham que trinta e um dias eram insuficientes para tudo que se queria fazer. Ainda mais que o Natal por aqui era literalmente festa. São caríssimas as lembranças do Natal sendo celebrado, cada um de muitos, de quando ainda havia crianças correndo, de quando havia jovens, e mesmo de quando muitos escolheram seus caminhos longe e vinham celebrar aqui, nessa casa construída para vivermos nela para sempre.
Costumo dizer que a vida é surpreendente, longa, longa a minha. E boa. De dias causticantes, hoje mudou para fresco e quando desci para preparar o meu café precisei colocar agasalho. Foi uma delicia rever a blusinha surrada esquecida atrás da porta. Cismando à mesa descobri o silêncio da cozinha, nem a música liguei, era antes das sete. Faltando um dia para a véspera do Natal, não marquei compromisso para a data quem dirá para as próximas. Nesse ano, ninguém virá. Dos remanescentes dos moradores, os de perto, dois têm compromissos em outras lugares. Fico eu, finalmente, pra regar as flores ou espantar aranhas. Mais, formigas, há fileiras delas pelos cantos, pelo pátio, nas folhagens: descobriram os vazios. Queria ter feito a faxina tanto há nos armários coisas que ninguém quer mais. Descobri, rindo, revendo cadernos bolorentos que eu estava tentando reter a vida como costumava ser. Ainda terei serviço para o ano: dou a mão à palmatória que ando mais devagar nesses tempos. Tempo presente. Tempo de presentes; o maior, memórias.
Quietinha no canto da mesa vejo desfilar pessoas e sons tudo tão vívido que quase os convido pro café. Chegam pessoas que riram, correram, choraram, viveram aqui afinal. Rostos lindos, tão amados, conversas, cantorias, gritos, ah, sacodem a quietude da manhã.
Tão confortável manhã que posso me demorar, nem as plantas tenho pressa de regar: a chuvinha da noite refrescou as folhas, o tempo, o mundo, meu coração.
Tempo bom, esse, de Natal.