terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

ESPALHANDO PÉTALAS
Esse tempo novo, novo para mim que ainda não me acostumei cem por cento em viver a vida que cabe apenas a mim: é que a maior parte vivi dedicando atenção mais aos meus amores ao redor do que a mim. Estou fazendo esforço hercúleo de virar meu olhar pro meu nariz e do resto de mim, da cabeça aos pés. Do pé especialmente cheio de pequenas veias coloridas e depois da cabeça, e do que tem nela, afinal.
Fiz o terceiro exame na semana passada depois que a médica daqui da unidade de saúde cismou que tinha algo errado com minha cabeça. Ela não gostou do primeiro, mandou o segundo prum especialista louco que me sentenciou à beira da morte e o terceiro, outro especialista indicado pelo primeiro, pediu exame mais aprofundado. Todo mundo em dúvida, inclusive eu, que não sentia nada além do que já sinto todo dia.
O resultado do terceiro exame saiu ontem. Minha turma acompanhou e ajudou nessa maratona e Eduardo correu ao laboratório para recolher as novas informações. Sim, o caso é que desde o primeiro exame foi identificada presença sem convite no crânio, então, a ideia agora é comparar os tamanhos. Por ora, sabe-se que a visita ficou mais bem identificada e, parece, não pretende me fazer mal imediatamente. Alívio prum dia de Carnaval; mesmo que tenha que me submeter a outros procedimentos, ainda não preciso doar meus livros ou pequenos tesouros, poucos, tão imediatamente. Podemos descansar um pouco do susto, viver rotinas sem correrias.
Parece que tenho tempo pra viver outros dias, talvez construir novas memórias, rever amigos, tomar aquele pro seco guardado, terminar de ler dois ou três livros começados, quem sabe visitar amores distantes; é que, parece, ainda tenho tempo.
Enquanto isso, solenemente, como ritual sagrado, podo as pequenas roseiras do balcão, recolho pétalas de duas flores e as espalho ao vento através da manhã espetacular do verão escaldante a minha frente.
Magda Castro
Brasília, DF, 17 de fevereiro de 2026.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026



PENSA NUMA MANHÃ PERFEITA!!
Me levantei tarde porque estava ainda sonolenta quando acordei pelas 4 da manhã, fui ao banheiro e resolvi apostar de novo no aconchego das cobertas; friozinho, o tempo, estendi a colcha de lã sobre o edredom, me virei pro lado do coração e puf! apaguei sem ver. Acordei depois das 8; e já que hoje não tenho compromisso, o de tirar o lixo é o mais premente, me recostei, abri o celular, mandei a mensagem diária pro Jean, vi quem tinha vindo me dizer bom dia, respondo durante o café, à mesa, e me levantei já juntando as cobertas, sacudindo, pensando que de noite devo abri-las de novo pra checar se insetos vieram visitar. É que andam muitos, de muitos tipos, nesses dias quentes de chuva que procuram abrigo, sim, só que nesse abrigo já mora um animal, eu, daí há pouca possibilidade de outro ser habitar o mesmo espaço, ainda mais se for escorpião (Irq!!!).
Sei que desci animada ansiando por café. Fome não estava com muita porque tomei sopa deliciosa ontem já de noite, mas urge que coma pra tomar remédios. Remédios de controle da pressão arterial, glicose e coisinha ou outra, mas não pra dor, não ainda. Já senti dor de cabeça, pouca, de ouvido, quase nada, e quando uso muito rodo ou vassoura pela casa afora tenho dores nos ossos, mas todas, quando me movimento entre loucas, plantas, roupas, nas lidas comuns do lar, todas as dores passam. Ainda passam. Sei que não será assim pra sempre, mas ainda não há grandes dores. Sim, há umas sensações estranhas como a cabeça pesar, a visão diminuir e eu ficar vendo estrelinhas. Paro, tomo meio copo d'água, do filtro de barro que lavo todo dia, me sento, de preferencia vendo noticias e séries pelo computador, e tudo vira alívio.
E, contrariando expectativas, ao puxar a água com desinfetante que joguei na garagem dos fundos porque esvaziei os baldes de água da chuva pra contrariar também mosquitos, senti dor num dos lados da perna; leve. Parando, pensei. Bóra encerrar as tarefas já chegando meio dia: juntei e pendurei coisas, então, me deu na telha de abrir a pesada porta de vidro que dá pra rua.

O vento que entrou saiu levando cheiro de erva-doce através da cozinha, da copa, avançou pelo jardim de inverno tresloucando as pedrinhas e sacudindo folhas, atravessou corredores, invadiu a sala e se espalhou pelo mundo afora depois que cruzou as janelas da varanda. O frescor tomou conta da casa toda; eu? percorri devagar cada cômodo em deleite. Delícia de manhã!!

Magda Castro

Brasília, DF, 03 de fevereiro de 2026.