A vida moderna nos impulsiona a cumprir sua jornada de diferentes maneiras. Às vezes a força vem do ideal, daquilo que se quer ser ou conseguir; dos sonhos, mais simplesmente dizendo. Esses, em geral, são feitos de alegria, de boas expectativas, de fé no futuro; de esperança, em resumo.
Outras vezes as forças são as correntes naturais como a promoção no emprego, a finalização de um curso, a viagem depois de muitos planos. Coisas boas, mesmo que nem sempre apaixonantes, que acontecem no curso natural dos esforços diários, no correr silente da vida.
Vezes há, menos dessas, graças a Deus, que a força que nos impulsiona não é tão bela. Há emoções que por mais que neguemos estão em nós e até podem ser úteis como sustentáculos de fases difíceis ou de ritos de passagens; e de apoio para decisões. Isso porque há decisões que precisam mesmo ser tomadas: muito necessárias e amplamente transformadoras. Raiva, decepção, ódio, são fortes sentimentos que, na maioria dos casos, brilham repentinamente, como explosão, mas logo se desfazem deixando a calmaria.
Uma dessas emoções, que da mesma forma nos impulsiona, pode até nos dar coragem para decidir grande, não menos dolorosa nem tão repugnante, e que dura tempo demais, até que a gente se canse, é a tristeza. Essa palavra, cujo significado moderno assusta muita gente, tem forças para nos lançar contra rochedos ou nos deixar quietos na pradaria. É porque há vezes em que não são suficientes nossos desejos ou propostas, creio, acaba que quem decide é algo muito maior que nós, fundo sentimento, destino ou coisa que o valha.
A tristeza engana com sua quietude e não se esvai tão depressa quanto se gostaria. Ela não desaparece porque algo novo aconteceu, não alivia por um dado menor, um fato qualquer. Quando a tristeza se instala, é preciso mais que propósito para superá-la. Apesar de que superar a tristeza parece utópico: como é possível fazer isso? Passando por cima dela, contornando-a? Ela ainda estaria lá. Então, a tristeza precisa de outro sentimento tão importante quanto raro: a paciência. Acho que foi isso que me deu forças ontem.
É que ontem, por um fato corriqueiro, vi que ela estava firmemente instalada, tinha teias, estava rondando. Há alguns estágios interessantes dessa coisa: antes é a mágoa sangrenta que faz você chorar mesmo rindo; que está tão colada à alma que mesmo que tenha motivos para dançar ou brincar, você chora. Depois disso, a tristeza passa para a aceitação. Tá, estou triste, mas ela já não incomoda tanto. Difícil é que, a qualquer momento, algo a sacode, ela volta em borbotões, enxurrada misturando tudo. Lágrimas, chutes, tapas na parede, gritos, ou pior: o silêncio. É que a tristeza que se descobre ser funda demais pode ser tão poderosa que nada ajuda; calar, então, é a única saída suportável.
Foi o que fiz ontem: me calei. Peguei o carro, querendo ficar em casa, mas também querendo ir, e me pus na estrada. Queria ir a certo lugar, um marcado, mas sabia que a qualquer momento poderia girar o volante e voltar. Estava em confusão, indecisa até o osso, então, enquanto não resolvia, fui seguindo devagar até alcançar os raios de fogo do sol se pondo, quem sabe não queimava alguns de meus tentáculos?
Fui convidada a participar de uma confraternização na faculdade onde trabalhei em Minas Gerais, pertinho, e me preparei para isso como se fosse me casar. Escolhi roupas de pouco uso, sapato, bijus, bolsa, perfume. Passei a manhã em casa como num spa, brinquei com minha caçula: depilação, unhas, hidratação. Fiquei, por toda a semana, imaginando o que diria a antigos alunos, a colegas, a amigos saudosos sobre os caminhos que tenho trilhado nesse ano e poucos meses ausente.
Procurei me certificar da forma de transporte, do programa do evento; preparei o material de trabalho de forma a ter essa folga: queria ir a esse encontro. Assim, foi que me armei com uma latinha de coca light porque não achei a garrafinha de água na geladeira, um pacote de castanhas torradas de baru e um pão de mel ganhado ainda no dia das mães. Chequei documentos, telefone, agenda. Parti. Tinha que pegar um ônibus especial no Plano Piloto, na Asa Sul. O horário era 16:45 hs. Cheguei à Quadra residencial, estacionei o carrinho e parti alegre e saltitante para a Comercial. De longe já fui procurando o ônibus; não o vi, fui atrás de possíveis passageiros esperando nas mesinhas à sombra das lanchonetes... em vão. Comecei a desconfiar de que estava no lugar errado; abri bem os olhos e minhas recordações: aquele era o lugar para onde vim durante sete anos. Então, meu relógio estava errado... e sempre tenho cinco minutos adiantados! Pedi a um rapaz para confirmar a hora: faltavam 17 minutos para as 5 da tarde; ainda estaria no horário marcado.
Talvez tivessem se atrasado – todo mundo – então, esperaria um pouco. 10 minutos, nada. Bem, algo deu errado ou partiram mais cedo, não poderiam saber que eu iria naquele ônibus, acho que não sabiam. Tentei falar com uma amiga que talvez fosse junto. Duas vezes chamei, e nada. Vou voltar para casa, tenho tanto trabalho mesmo!
No interior da Quadra, vi que estava irritada quando minha sacola se dispôs a abraçar uma das grandes árvores, então, no brusco movimento para me libertar, arranhei sacola e blusa. Tomei o rumo de casa, o trânsito já apinhado de automóveis, parei em todos os sinais que existiam. Quando alcancei o pezinho da W/3 Sul, tive ímpetos de descer o Eixo Monumental e tomar a saída da cidade. A conta da gasolina seria mais uma dificuldade, mas daria para sobreviver. Antes que decidisse, fui empurrada para o viaduto e me vi na entrada da Asa Norte. Manobrei por três pistas de uma vez e subi a tesourinha para a Torre de Televisão. Antes de pegar esse caminho, desci de novo: estava de volta à Asa Sul. Iria no meu carro ... a tesourinha para subir de volta ao Eixo Monumental estava livre à direita. Finalmente rumo à saída, o trânsito apertava: era 13 de maio; estavam bloqueando metade das pistas para um evento na Esplanada, talvez missa com procissão. Isso não me impediu de lembrar que quem mora em Brasília tem sempre que se sujeitar a esses eventos grandiosos com aparatos policiais e pistas interrompidas, não importando se você tem compromisso. Parece que a Capital da República tem um único fim: dar espetáculos.
Então, me misturei aos carros de polícia, aos oficiais e particulares, aos ônibus de fim de tarde, às motos, aos pedestres errantes, aos tais cones e continuei, com a proposta de gastar o tanque de gasolina para encontrar caros amigos.
Ruminava qual era minha intenção ao fazer isso. A todo momento, me perguntava: qual é meu objetivo? Me desculpei com meus botões, uma, duas, três vezes: seria boa oportunidade de afiar contatos, quem sabe novas indicações de emprego. Isso não ficava por aí porque acabava me perguntando também porque queria mais indicações de trabalho se não estava dando conta do tanto que já tinha. E ia dirigindo em frente, pensando, pensando.
Enquanto me debatia com os prós e contras, fui driblando também o trânsito, vai daqui, pega ali, até que alcancei a pista para a Ponte JK. Alívio, por enquanto: fora do tumulto me senti livre para seguir viagem, e para pensar melhor. Enquanto isso, seguia em frente, o carrinho arranhando nas subidas e... ainda: vou, não vou. À altura da Escola Fazendária, o trânsito estava de novo engatinhando e assim foi, em fila indiana, até o balão da estrada para Goiânia; a pista estava em reforma. Rem, rem, rem, o carrinho seguia. Pus um CD do Fagner e comecei a acompanhar o cantor nas letras que sabia. Abri a janela para o barulho sair: gritava a plenos pulmões. E ia seguindo... ainda com as dúvidas martelando.
Quando contornei o balão para pegar a estrada definitiva, vi um escandaloso painel avisando “Agrobrasília a 37 quilômetros". Hum, a exposição dos produtos do Cerrado, no Coop-DF. A gente se acostumou a falar a palavra “copadefe” dessa sigla. Muito bom lá, conheço o lugar dos tempos em que fui gerente de banco, visitei uma granja de porcos; foi quando descobri que isso precisava de tanta tecnologia. Ali é um centro de produção muito importante para a região que com o tempo se transformou em quase cidade.
Continuei; agora o sol do poente já tingia tudo de vermelho, exuberante, lindíssima visão, parecia Marte, tanto colorido. Avaliando a estrada à frente, me acomodei relaxando, consciente de que só aquele por do sol já faria valer essa escapada esquisita.
De sobe e desce, pensa e repensa, canta e grita, vi que tinha lágrimas nos olhos. Funguei contrariada porque me deparei com algo saindo de dentro dum fundo escuro que eu não visitava a miúde. Algo se apresentava como espectro na penumbra, e o dia me imitava, se transformava. Viria a noite em seguida e daí o caminho seria tão mais solitário. Voltei a pensar nos objetivos dessa viagem, na justificativa, no real motivo. Ver os colegas, rever os lugares de tantas aventuras... e o pensamento me levando... e onde tive muita decepção e dificuldades também. O pensamento fixou na idéia de que águas passadas não movem moinho, o que não aliviou nada.
E isso me levou a outro agravante ainda não avaliado como deveria. Estaria lá, possivelmente, pessoa que tornaria tudo não tão esplêndido. É aquela coisa do vício: se você é viciado em álcool, drogas, tem que ficar longe. A recaída é certa se você toca de novo na coisa; penso que com gente é assim também. Me viciei em um homem e vê-lo não me faz bem de jeito nenhum; e o vi algumas vezes recentemente. Não foi bom, mesmo que também não tenha sido tão ruim quanto achei, mas me assustei porque dessa vez seria num terreno mais instável, mais balouçante. É diferente quando o desafio acontece num ambiente relativamente seguro. Agora, estaria na arena e me apavorei com a possibilidade de sentir aquelas sensações de derrota, de insignificância, de inexistência absoluta com que fui brindada por tantos anos, ininterruptamente.
Ah, não! Isso de novo não! Não lutei tanto para me limpar dessa droga para me colocar numa situação nem de leve parecida com as que passei. Não mesmo!
Estava já escuro, as luzes iam e viam no pára-brisas, os faróis totalmente acesos. Depois de uma curva, vi a entrada da feira; ali também havia cones separando as pistas. O último pensamento me levou a desviar o olhar do novelo que seguia longe e me voltar para os aparatos da festa: bandeirinhas, barracas brancas, cartazes. Entrei à direita, parei para perguntar a um rapaz a caráter onde era o estacionamento. O moço me apontou uma cerca cortada, fitas empoeiradas, entrei. Ia longe a coisa, carros e carros estacionados num gramado amarronzado pelos pneus e poeira; muita. Parei de novo para perguntar a uma senhora carregando pequeno pacote: para onde é a feira? Para lá, respondeu apontando o contrário do caminho, mas já acabou, agora só amanhã. Agradeci e continuei seguindo os rastros sobre o gramado. Isso me levou à saída: carros em fila atravessando o interior de um conjunto de casas muito bonitas que sempre vi da estrada. Observei curiosa as construções, comparando-as com as do Lago Sul, um dos pedaços mais caros do Planeta.
Ainda poderia rumar para o destino inicial, continuei pensando até que cheguei à BR. Bastaria virar à direita e faria longa viagem no escuro... que poderia dar num breu maior ainda ... outra dúvida saltitando enquanto ligava a seta para a esquerda. Casa, lar, o da gente é o maior refúgio do mundo.
Ainda não deixei as tantas perguntas e respostas que me faziam companhia. Continuei insistindo em esclarecer o objetivo, as possibilidades, o proveito, a alegria que poderia ter com o encontro. Conclui que tudo valia para manter a decisão que tomei de seguir em frente com a minha vida e que essa não era coisa para brincadeira. Tinha decidido, estava decidido. Não que isso não signifique dúvidas. Há sempre dessas, muitas, rondando. Quando todas atacam juntas, me enfraquecendo, recito o refrão que decorei para momentos como esse: ele não é solução para meus problemas, não está, mesmo, interessado; minha vida é problema apenas meu.
Foi voltando para casa, já no breu infinito da noite que descobri meu rosto molhado de novo. Deixei assim, aumentei o volume do rádio e acompanhei pacientemente a fila de automóveis que seguiam para a Capital. Pelo menos, como paliativo pela perda da confraternização, descobri que essa feira é grande mesmo; e que talvez, se adiantasse o trabalho, sobrasse tempo para fazer uma visita apropriada.
Sobre tantas possibilidades, ainda coube mais uma pergunta: quem sabe o que me reserva o amanhã? Não sei não. Paciência, me consolo, enquanto entrevejo a cidade, agora do outro lado da Ponte. Naquela hora, como a brindar a noite jovem, a JK se transformava em real espetáculo: como longo colar de diamantes, suas tantas luzes estavam lindamente refletidas na superfície serena do Lago Paranoá.
Por
Magda R M de Castro
Brasília, 14 de maio
sexta-feira, 14 de maio de 2010
quinta-feira, 29 de abril de 2010
DE AMOR E DE PORCOS
Uma das coisas que ainda não aprendi foi a lidar com o amor; não o amor paixão que esse não sei se alguém sabe mas esse amor de amor mesmo daquele tipo de amor que a gente gosta da pessoa simplesmente por ela ser o que é e daí acha que essa pessoa pode fazer qualquer coisa, qualquer coisa mesmo que você ainda vai continuar amando ela. Eu sou assim quando amo.
A pessoa pode ficar longe, calada; pode me falar todo dia, maravilhoso! Pode casar, descasar, vender, comprar, que tudo o que quero é que essa pessoa ache a felicidade. E me deixar por perto para ser feliz de tabela. Para meus amores quero sempre a felicidade, e tenho certeza de que sempre a merecem, sempre. E para quem não amo também que sejam felizes...
Percebi que as pessoas que eu amo fazem de mim o que elas querem. É verdade, se elas falam que a piada que contei é “feia” nunca conto mais aquela. Se me dizem para calar a boca fico o resto da vida escolhendo o que dizer. Se falam de uma roupa, se falam de minhas “más” companhias... fico sempre querendo fazer o que esses amigos acham que é melhor.
Um dia, uma amiga falou que meus filhos não andavam tão bem arrumados quanto eu. É que eu trabalhava num banco e gastava um terço de meu salário com ternos e sapatos. Conseguia economizar nos “acessórios” que até uma vez um grupo de colegas me deu de presente um conjunto de bijuterias tão refinado, tão diferente, que ele até hoje parece novo em folha.
Mas no dia que a amiga disse que meus filhos não andavam tão arrumados quanto eu, pensei em comprar ternos prá todos eles andarem vestidinhos assim tão arrumados nos passeios ao parque, para mergulharem nas piscinas, nas aulas de luta, nos cursos de música e língua, na escola de todo dia. Passei dias pensando quais roupas seriam mais “arrumadas” para que meus filhos andassem como se fossem executivos de bancos nos lugares que frequentavam. Dei uma olhada muito crítica nas camisetas folgadas, nas bermudas grandonas, nos chinelos, nos tênis, nos vestidos... juro que achei tudo tão errado que logo, aproveitando uma viagem de férias, fui a um setor atacadista de roupas em Belo Horizonte e botei as lojas abaixo. Fiz uma compra que levei mais de um ano para pagar, de, principalmente, vestidos lindos e modernos pras meninas e camisas de algodão que podiam ser usadas engomadas para meus meninos. Agora eles poderiam andar tão arrumados. O problema é que não perguntei para eles o que realmente os fariam confortáveis e as roupas foram doadas anos mais tarde, quase todas tinindo de novas.
Viver é tão vivo, tão repentino, tão imediato que às vezes nós vamos apenas acompanhando o “rio”... e não fazemos o mundo do nosso jeito, vamos deixando que tudo ou todos interfiram nas nossas vidas. E, da mesma forma, vamos botando nosso nariz na vida dos outros. Acho que isso vem de nossa impiedosa mania de julgar; da gana burra de comparar os incomparáveis; da idiotice de pensar que as pessoas devem ser do nosso jeito.
Outra coisa foi um amigo me dizer um dia que não suportava o fato de eu não falar mal de ninguém. Sim, parece esquisito, mas é que ele achava que eu era boazinha demais. E ninguém é bonzinho demais; se parecer assim deve estar fingindo. Não meu caso, esse comentário de meu amigo foi posterior a uma confusão na qual alguém me disse: “Você fala demais!”. Então, decidi que só falaria das coisas certas e para as pessoas certas. Claro que entrei em crise existencial infinita porque o que deveria ser falado foi sendo socado no chão e as coisas passaram a não se resolver mais na minha vida. Passei a viver como a Poliana que achava tudo tão lindo!! E acabou que perdi alguns anos sendo a pessoa mais perfeita do mundo enquanto esse mundo girava o meu redor e eu não via o que estava acontecendo. No dia que descobri que eu estava fazendo papel de boba foi difícil demais me fazer de novo gente: falante, inteira com meus erros e acertos.
O efeito Poliana é mesmo muito grande na minha vida, até hoje. Sempre li os romances doces dos escritores românticos e quem merecia toda a felicidade o príncipe, a riqueza, o respeito, era a mocinha perfeita, lindíssima, boazinha. E coitadinha que sofreu tanto antes. Isso é arrasador mesmo quando acabei assimilando que eu tinha que sofrer horrores para merecer o paraíso. Acontece que meu jeito de ser gente, e inclusive jeito de ser desajeitada mesmo, me levou a um ponto de total confusão porque daí eu não era aquele modelo de moça, nunca tive a menor chance de ser. Entretanto, acreditei que merecia respeito mesmo assim. E que até poderia ser bem amada um dia. Fui amada, sim, uma vez. Das outras vezes, toda a consideração que recebi, olhando agora de longe, pareceu estar relacionada ao que existia ao meu redor e não propriamente por mim. E isso não é coisa que se descobre assim, levemente. Dá uma dor danada você descobrir um dia que o que você verdadeiramente, só você, na sua essência, não é interessante o suficiente para que os amores que você ama amem você do mesmo jeito; ou de qualquer outro jeito.
É natural, eu diria, pessoas se afastarem. E quando isso é deliberado? Quando isso é decidido? Sim, é natural, seria sim, as pessoas têm o direito de decidir quem elas querem por perto, com quem querem se relacionar. É, falar assim não impede de isso doer. Caramba, como é triste ver que alguém que você sempre amou, admirou, não lhe dá a mínima mais.
Ouvi uma vez alguém dizer que “tinha um cemitério particular”: ia enterrando as pessoas que não lhe interessavam mais na vida: questão de sobrevivência. Ai, e quando somos nós os enterrados?
E, o pior, é quando você é deixada à deriva, sem responder às mensagens, sem fazer contato; o mais triste é quando você tem que descobrir sozinha que a amizade, o carinho, o que quer que tenha havido um dia se dissipou nas idas e vindas dessa vida e que você não é mais parte da vida daquela pessoa. Gosto muito de amar, gosto demais de carinho, um riso porque cheguei, um abraço porque estou indo. Amar é tão bom; mas quem inventou essa coisa de amar sozinha? O amor não é uma troca, construído por muitos anos? É, tem esse tipo de amor e tem esse outro tipo também.
Sempre me volta a ideia de que nos amamos muito pouco para deixar que nossos corações sofram com o desamor. E isso tem me acontecido tanto ultimamente que estou tentando entender se estou usando meu direito de ficar sábia na maturidade ou estou deixando tudo acontecer sem participar, mais uma vez...
Dúvidas ou não, o que me acontece hoje em dia é que está aumentando na minha vida o número de pessoas que eu amo e que não me ama. Parece que perdi a curva do atalho...que ia levar à felicidade que persegui toda a minha vida. Tentei tanto ser bonitinha!! Acho que fingi, porque afinal descubro que não é fácil assim ser amada. Eu estava enganada sobre o amor... estou sim porque ele continua ao meu redor, o apalpo vez ou outra, o vejo belo e altaneiro nos meus sonhos insistentes... mas, não tem muita gente interessada nisso mais não. Concluir assim me faz pensar sempre na frase “jogar pérolas aos porcos”... que também não é tão interessante. E seria interessante se o dito fosse “defunto atira pérolas aos porcos”? é feio isso, feio que só, mas estou ligeiramente desconfiada de que alguém andou me enterrando por esses dias passados. Recentemente, eu diria...e fico então pensando, o que a gente faz com estoque de amor? Será que perde a validade?
Por
Magda R M de Castro
Brasília – DF, 30 de abril de 2004.
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