Hoje cheguei de viagem muito cedinho: o dia já tinha raiado mas eu queria continuar de olhos fechados, embolada naquela poltrona de ônibus. Era um ônibus especial, fretado, para levar a banda à festa; e eu aproveitei a passagem mais em conta pra rever meu povo de longe... fui, voltei, e cansada da longa viagem queria apenas ficar ali, cochilando... acho que nem porque estava cansada realmente, talvez, porque o que queria mesmo era ter ficado lá.
E queria ter vindo para cá. Quanta coisa boa aqui: o sossego, o correr lento do relógio, a comidinha sempre igual, as campainhas caladas. E também queria ter ficado, as coisas boas de lá: os abraços, os risos, as conversas sem pressa, agora rumando para dias melhores, continuar já não é tão difícil. E como a boa a cama que me recebe, o armário que abro em busca de seus cheiros de roupa limpa e macia. A escova de dentes – que esqueci qual era minha. O mesmo pente marrom, alguém tirou meu desodorante do lugar; nossa, minhas roupas estão fora dos cabides.
Admiro a criação da caçula na caixa de papelão. Passeio os olhos pela mesa do ateliê em sua fartura de objetos coloridos... verifico os mesmos quadros; esses estão quietos no lugar. O terraço exibe uma pimenteira exuberante de flores brancas... peço para guardar as proteções plásticas das cadeiras, servirão no fim do ano.
Aliás, alguém reclamou de casa vazia. Não sinto mais essa pena, me parece conformei, acho pouco, não. Não me conformei, mas aprendi a gostar dos dias todos sejam eles iluminados ou não, calados ou não. É que pareço não ter tempo para reclamações agora. Não posso perder tempo de ser feliz, me recuso a gastá-lo em minúcias.
Fui por dois dias, para abraçar, ficar junto, ouvir vozes amadas, sorrir sorrisos sorridentes... não daria tempo de amargar, reclamar, rebelar. Das minúcias não me ocupei. Dos detalhes observei, meu neto está crescendo; meu filho mais centrado; e assim também a filha mais velha. Um sorriso desenhado teimosamente no rosto da caçula: ela se determinou a sorrir, mesmo se sangrar. Parece ter sido um pacto: nenhum mau gosto seria sentido nesses dois dias inteiros, exatos, um começando cedinho e o outro terminando ao pé da noite. Exatos momentos para tomar o café da manhã tantas vezes, chegando um chegando outro. Exatos para falar ao telefone o imprescindível. Exatos para combinar o almoço churrasco, tão raro, nem todo mundo aprecia em casa, mas foi tão bom reunir quatro de nós ao redor do carvão que se esmaecia e ainda saborear um vinho, uma cerveja, saborear, de estralar a língua, as companhias, falando de presentes, de planos, de apertos, de decisões, de amanhãs. Exatos momentos para abraçar, comer pipoca, tomar guaraná. Exatos momentos para falar de amor, fazer cafuné, esquecer qualquer dor; deixa essa prá depois. Exatos dois dias para mostrar, impossível, o amor imenso pela família linda que cresce, acrescenta, segue, se sustenta, mesmo com a mãe longe.
É que me deu na telha e nada consegui fazer para mudar esse chamado. Divino, instintivo, teimoso, o que seja, essa vontade de mudar de endereço foi mais que todos nós juntos. E mesmo que a alegria de viver, a razão de respirar esteja na cidade grande, eu precisava mudar; tinha que mudar. Por mim, pela minha lucidez claudicante ... e, sobretudo, por eles.
Me recusei a arriscar ficar frustrada, tive um medo abismal de me tornar uma mãe torta, meia mulher, meio gente. E mudei. Por dentro, por fora, o meu rosto agora com vestígios de amplidões, meu olhar com destino ao infinito, reflexo de uma alma em paz que pode circular pelas eiras e beiras desse meu lugar de menina. Vim, e me deparei com o passado transformado, apenas fios tênues que não têm como me magoar: não me dizem respeito. E por que não? Poderia alguém perguntar. Porque não têm a minha cara, o meu toque, o meu jeito. Recebo o que existe aqui com olhar benevolente, de visitante, por enquanto, certa de que tudo e todos que aqui estão também têm seus valores, suas angústias, suas montanhas para galgar. Daqui em diante, sim, aí posso fazer um canto, uma cidade, um mundo, o que seja, um novo lar com o que tenho agora, com o que trouxe na bagagem. Será como sonhei? Espero que muito além porque aqui descobri que até sonhar a gente pode, e muito.
Por outro lado, estava de volta, mas queria não ter voltado... É essa gangorra: vai, não vai; fica, não fica. Seria simples se todos viessem junto. Utopia. Então por que não ficou? Que pergunta boba. Agora é tarde, como é que posso deixar as sementes que joguei à terra? Quero ver se elas vingam, ora. E como vou deixar minha mãe só de novo? Ela pode ir junto com você. Ah, pode, claro que pode! Seria do gosto dela?
Está tão ruim assim? Não mesmo!! Está ótimo, o que tira o tempero é a saudade, a falta do convívio sem fim. Mas que tal pensar que afastar-se um pouco pode criar novas perspectivas para todos? Amadurecer um, sarar a raiva do outro, dar tempo de outro testar um pouco de liberdade. Sim, há muito o que aproveitar. Também nesse tempo, há o que aprender...
E esse mundo é tão encantadoramente vasto. E essa fase da vida dá a chance de fazer ainda tanta coisa; por mim e pelos que amo. Ah! Como é bom ter a chance de tentar, de sacudir a poeira, de recomeçar, de tentar vida nova... claro que é uma baita confusão: quero ficar, quero não ficar. O que mais quero é ficar onde? Nos dois lugares; talvez um terceiro ou quarto. Quantas sou? Uma? Mesmo? Que pena!
Então, eis-me de volta, no ônibus fretado, à pequena cidade. Cheguei cedinho, o dia escancarando um esplendoroso sol frio; o vento até que parado dessa vez. Novamente não havia táxis por perto. Uma colega de escola, recém-reconhecida na viagem, encarou a caminhada comigo. Fomos até o prédio dela, que me fez gravar o número do apartamento. Me fez também prometer que a visitaria quando então me re-mostraria a cidade e me levaria aos endereços de outros colegas de antigamente. Fiquei surpresa ao saber quantos tinham continuado no lugar...
Entregue a amiga à casa, retomei o caminho até minha atual residência. Chamei uma vez pela minha mãe – ainda não fiz uma cópia da chave para mim – mas ela ainda dormia. Dormia e resolvi que dormindo ficaria até a hora costumeira dela. Eu, podia esperar. Aconchegada à sacola e à bolsa, recostada na cadeira branca de metal, esperei. Aguardei na varanda até chegar quem tivesse chave. Isso durou uns vinte minutos, apenas; depois, entrei aliviada de poder tirar os sapatos.
Por
Magda R M de Castro
Abaeté, MG, 17.08.2009
terça-feira, 18 de agosto de 2009
sexta-feira, 31 de julho de 2009
REVOADA
Não. Não poderia escrever aquilo para ele; não poderia transferir a responsabilidade que era minha, então, apaguei a mensagem, melhor, parte dela; ficou apenas o “obrigada por tudo” brilhando no escuro, na tela do celular. Não poderia pedir socorro assim tão diretamente: iria parecer dramático demais, mais teatral do que a simplicidade da vida exige. Sim, simples, tento me convencer de que sair de casa para ir morar longe é simples, a gente é que complica tudo.
Me convenço que sim, que se complica tudo, quando misturamos a necessidade de trabalhar para ter a dignidade de viver à própria custa; quando temos a ultrapassada idéia de que pais devem ficar em casa até que os filhos resolvam sair; quando nos pomos a ruminar “até que ponto somos necessários aos filhos”? "Quando devemos parar de vigiá-los para que comecem a crescer?" Acho que essas são dúvidas de todos os pais e não sou diferente disso, por isso, me vi nessa encruzilhada quando descobri em que pé estavam as coisas entre o namorado e minha filha morena. Daí pensei em enviar uma mensagem, olhem até onde pode ir a interferência de uma mãe. É porque coincidiu minha saída com crise de namoro e fiquei sobre brasas quentes imaginando que minha filha enfrentaria duas grandes batalhas ao mesmo tempo. E aí vai minha imaginação... fico preocupadíssima com a menina frágil. Hum! Menina frágil, essa aí quando cisma de fazer ela faz mesmo, sem dó!
Então, na primeira vez que voltei em casa, vi que o namoro, de mais de três anos, estava balançando e que minha filha poderia estar muito só – como se isso fosse coisa que eu controlasse, olha a pretensão! - Não me senti bem de imaginar que justo agora eu me afastava – fui para o interior por uns tempos juntando que eu precisava esfriar a cabeça e minha mãe precisava de um pouquinho de atenção, e outros detalhes menores. Então, eis que, nesse caso, fiquei com medo de que fossem coisas demais para ela lidar. Achei que o namorado atencioso iria estar por perto para apoiá-la nisso; assim, o contrário me deixou apreensiva. Comecei a rever minhas razões para ir viver no interior: ir a tudo caminhando sem ter que dirigir um carro; plantar um jardim ou um pomar ou uma floresta para marcar minha passagem; ficar com minha mãe por uns tempos coisa que não fazia em razão de tantos compromissos na cidade grande. Taí outra razão: a cidade grande de stress de trânsito, de correria, de precisar ter grana para viver decentemente. Vida cara essa hoje em dia de cidade grande, e há oportunidades para os jovens, mas nem tantas para o não tão jovens e daí senti que poderia tentar...
Essas são algumas das razões de partir para o interior, armar a tenda, arrumar emprego. Virei a minha história do avesso: agora ao invés de passar férias no interior vou para a capital, encontrar meu povo querido. Nada de mais não é? Simples assim. Mas não, nunca é simples assim.
A minha é uma família linda, e por muitos anos, ficamos o mais perto possível uns dos outros. A vida nos dividiu um dia e, ultimamente, na casa, agora, só moravam quatro mulheres cheias de esperanças. O dia a dia nos mostrou, entretanto, que não teríamos como pagar o preço de vivermos todas na Capital Federal ao custo que isso representa. Devagarinho, meu coração foi acreditando que sair poderia mostrar diferentes oportunidades, então, quando fiz contato com a faculdade da cidade de minha mãe, fui convidada a trabalhar nela. Aceitei, pedi demissão do emprego na capital e fiz as malas.
Então, eu não estaria no dia a dia, para as pequenas coisas; o que acho ser uma vantagem, talvez um tempo em perspectiva para nós, para nos vermos diferentemente, para nos respeitarmos mais até, pensei. A realidade não é simples assim, percebo agora. Isso porque o que parece ser mesmo fato é a família se desintegrando com os pedaços se perdendo na imensidão da história humana. Como uma nebulosa que se esfacela no espaço, nos distanciamos, nos dispersamos, nos soltamos do centro; como partes se dirigindo, tremulamente, para o vazio. Talvez cada parte consiga se aproximar de fragmentos diferentes e daí possa nascer outra estrela; quem sabe haverá novos encontros e se forme novos núcleos.
Por outro lado, vejo agora, que se um dia tudo dependia de mim, hoje não: essa é a ordem natural das coisas e é mesmo simples, basta deixá-la acontecer. Além disso, se fiz bem o trabalho, meus filhos estarão prontos para se soltarem de verdade do núcleo, aliás, estarão ansiosos por isso confiantes que deverão ser em si mesmos. Se ensinei o suficiente, meus amores estarão se soltando alegremente desses galhos já não tão poderosos e alçando seus vôos solos; estarão fortes o suficiente para buscarem seus próprios roteiros, suas próprias galáxias. E ainda serei também suficiente para me cuidar, viver bem e apreciar isso tudo.
Uma visão dessas só é possível, entretanto, se o amor estiver muito claro, se a confiança foi construída com sólidos elementos, e com a convicção de que o amor não está sujeito aos rigores da geografia, aliás, para ele, o “longe é um lugar que não existe”.
Além disso, me lembrei da história da borboleta: estava tentando tirar a segunda asa do casulo, cujo esforço faria com que fosse possível voar. Um garoto passando por perto achou que a borboleta precisava de ajuda e quebrou o casulo. A segunda asa não estava pronta e isso impediu que a borboleta voasse para sobreviver. Moral da história: até a ajuda, fora de hora, pode atrapalhar o bom desenvolvimento das coisas.
Foi por essas reflexões que apaguei parte da mensagem. A parte que dizia “não desista dela; ela vale, e muito, a pena.” Teria sido uma interferência lamentável, uma total falta de confiança, e de respeito para com a moça, atrapalhando-a na busca pela solução, a seu modo, dos próprios problemas. Não poderia fazer isso, nem com ela nem com seus irmãos que também têm suas dificuldades, mas confio que têm suficientes recursos para “voarem com as próprias asas”; além do que me permite usar o que resta das minhas para suportar apenas meu próprio peso agora. Mesmo porque, nada nos impede de voarmos juntos sempre que os ventos nos permitirem.
Por
Magda R M de Castro
Brasília, DF, 25/07/2009.
Me convenço que sim, que se complica tudo, quando misturamos a necessidade de trabalhar para ter a dignidade de viver à própria custa; quando temos a ultrapassada idéia de que pais devem ficar em casa até que os filhos resolvam sair; quando nos pomos a ruminar “até que ponto somos necessários aos filhos”? "Quando devemos parar de vigiá-los para que comecem a crescer?" Acho que essas são dúvidas de todos os pais e não sou diferente disso, por isso, me vi nessa encruzilhada quando descobri em que pé estavam as coisas entre o namorado e minha filha morena. Daí pensei em enviar uma mensagem, olhem até onde pode ir a interferência de uma mãe. É porque coincidiu minha saída com crise de namoro e fiquei sobre brasas quentes imaginando que minha filha enfrentaria duas grandes batalhas ao mesmo tempo. E aí vai minha imaginação... fico preocupadíssima com a menina frágil. Hum! Menina frágil, essa aí quando cisma de fazer ela faz mesmo, sem dó!
Então, na primeira vez que voltei em casa, vi que o namoro, de mais de três anos, estava balançando e que minha filha poderia estar muito só – como se isso fosse coisa que eu controlasse, olha a pretensão! - Não me senti bem de imaginar que justo agora eu me afastava – fui para o interior por uns tempos juntando que eu precisava esfriar a cabeça e minha mãe precisava de um pouquinho de atenção, e outros detalhes menores. Então, eis que, nesse caso, fiquei com medo de que fossem coisas demais para ela lidar. Achei que o namorado atencioso iria estar por perto para apoiá-la nisso; assim, o contrário me deixou apreensiva. Comecei a rever minhas razões para ir viver no interior: ir a tudo caminhando sem ter que dirigir um carro; plantar um jardim ou um pomar ou uma floresta para marcar minha passagem; ficar com minha mãe por uns tempos coisa que não fazia em razão de tantos compromissos na cidade grande. Taí outra razão: a cidade grande de stress de trânsito, de correria, de precisar ter grana para viver decentemente. Vida cara essa hoje em dia de cidade grande, e há oportunidades para os jovens, mas nem tantas para o não tão jovens e daí senti que poderia tentar...
Essas são algumas das razões de partir para o interior, armar a tenda, arrumar emprego. Virei a minha história do avesso: agora ao invés de passar férias no interior vou para a capital, encontrar meu povo querido. Nada de mais não é? Simples assim. Mas não, nunca é simples assim.
A minha é uma família linda, e por muitos anos, ficamos o mais perto possível uns dos outros. A vida nos dividiu um dia e, ultimamente, na casa, agora, só moravam quatro mulheres cheias de esperanças. O dia a dia nos mostrou, entretanto, que não teríamos como pagar o preço de vivermos todas na Capital Federal ao custo que isso representa. Devagarinho, meu coração foi acreditando que sair poderia mostrar diferentes oportunidades, então, quando fiz contato com a faculdade da cidade de minha mãe, fui convidada a trabalhar nela. Aceitei, pedi demissão do emprego na capital e fiz as malas.
Então, eu não estaria no dia a dia, para as pequenas coisas; o que acho ser uma vantagem, talvez um tempo em perspectiva para nós, para nos vermos diferentemente, para nos respeitarmos mais até, pensei. A realidade não é simples assim, percebo agora. Isso porque o que parece ser mesmo fato é a família se desintegrando com os pedaços se perdendo na imensidão da história humana. Como uma nebulosa que se esfacela no espaço, nos distanciamos, nos dispersamos, nos soltamos do centro; como partes se dirigindo, tremulamente, para o vazio. Talvez cada parte consiga se aproximar de fragmentos diferentes e daí possa nascer outra estrela; quem sabe haverá novos encontros e se forme novos núcleos.
Por outro lado, vejo agora, que se um dia tudo dependia de mim, hoje não: essa é a ordem natural das coisas e é mesmo simples, basta deixá-la acontecer. Além disso, se fiz bem o trabalho, meus filhos estarão prontos para se soltarem de verdade do núcleo, aliás, estarão ansiosos por isso confiantes que deverão ser em si mesmos. Se ensinei o suficiente, meus amores estarão se soltando alegremente desses galhos já não tão poderosos e alçando seus vôos solos; estarão fortes o suficiente para buscarem seus próprios roteiros, suas próprias galáxias. E ainda serei também suficiente para me cuidar, viver bem e apreciar isso tudo.
Uma visão dessas só é possível, entretanto, se o amor estiver muito claro, se a confiança foi construída com sólidos elementos, e com a convicção de que o amor não está sujeito aos rigores da geografia, aliás, para ele, o “longe é um lugar que não existe”.
Além disso, me lembrei da história da borboleta: estava tentando tirar a segunda asa do casulo, cujo esforço faria com que fosse possível voar. Um garoto passando por perto achou que a borboleta precisava de ajuda e quebrou o casulo. A segunda asa não estava pronta e isso impediu que a borboleta voasse para sobreviver. Moral da história: até a ajuda, fora de hora, pode atrapalhar o bom desenvolvimento das coisas.
Foi por essas reflexões que apaguei parte da mensagem. A parte que dizia “não desista dela; ela vale, e muito, a pena.” Teria sido uma interferência lamentável, uma total falta de confiança, e de respeito para com a moça, atrapalhando-a na busca pela solução, a seu modo, dos próprios problemas. Não poderia fazer isso, nem com ela nem com seus irmãos que também têm suas dificuldades, mas confio que têm suficientes recursos para “voarem com as próprias asas”; além do que me permite usar o que resta das minhas para suportar apenas meu próprio peso agora. Mesmo porque, nada nos impede de voarmos juntos sempre que os ventos nos permitirem.
Por
Magda R M de Castro
Brasília, DF, 25/07/2009.
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