domingo, 2 de fevereiro de 2025

DOMINGOs

Dias de domingo sempre me encantam, me fazem alegre. Foi pensando a respeito do porque que talvez tenha encontrado a explicação. Pensando lembranças, memórias caríssimas, doces e ainda mais que nessa semana passada um dos queridos sobrinhos enviou fotos antigas dos meus pais. 

Algumas não conhecia como a foto de meu pai de barba e chapéu; imagina um homem lindo, o olhar redondo num rosto perfeito de sobrancelhas grossas desenhadas. Jovem belo, inacreditável o meu pai jovem, charmoso e encantador. O pai que furava as tampinhas de guaraná e me aconchegava ao colo aos domingos quando chegava de suas aventuras e me brindava com presença rara. Uma menina sardenta de boca grande virava princesa nos braços daquele homem misterioso, etéreo. Assim era a presença de meu pai, etérea, em dias iluminados e um dragão raivoso em noites intermináveis. Eu ouvia meus pais do outro lado da parede e a dubiedade de sentimentos, confusão, medo até, marcavam meu despertar na manhã seguinte numa realidade impregnada de incredibilidade  e horror.

Incontáveis anos de alegrias e tragédias. mesmo assim gosto dos domingos...


Brasília, DF, 02 de fevereiro de 2025.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

TARDE DE CHUVA IMINENTE

O fim-de-semana foi quente, iluminado, belo. Imaginei que a semana toda seria do mesmo jeito pra confirmar o verão no seu original. Eu ainda estava à mesa tomando café quando as pedrinhas do jardim começaram a se debater. O vento veio me mostrar que o céu azul de cristal que vi quando abri as janelas cedinho tinha se transformado em palco de nuvens descoloridas.

Rapidamente, o dia de segunda-feira de muitas possibilidades se transformara em possível recolhimento, talvez tenha me sentido cansada de repente. Pretendia fazer tanta coisa no meio daquela luz redentora, mas, então, quem sabe em outra tarde, outro dia, outra semana, talvez no outono? dramática, ne? Riso. É apenas uma tarde de chuva como tantas outras; e já as vivi tantas!

Brasília, DF, 27 de janeiro de 2025.