Está acontecendo da forma que eu disse, nessa mesma época no ano passado, aconteceria com as paineiras torturadas da EPIA. As pistas em reforma alcançaram as áreas que deveriam ser verdes e essas ainda mostrem veios abertos de terra vermelha do cerrado. As árvores desafiam todas as afrontas desabrochando em róseos múltiplos. São filas de árvores mutiladas, ora lhes faltam um lado inteiro ora se vê a brancura do cerne onde foi arrancado um galho, que se engalanam, se vestem mesmo de festa, e abrem suas flores mimosas ao ar límpido. Um ar que mostra um arremedo da seca que vem aí, prosseguindo, a ordem natural das coisas: choveu demais, aguardemos as secas excessivas, portanto.
Assim é a natureza que gosto tanto de observar do alto de minha vasta ignorância; mas preciso continuar observando porque conheço pouco demais de naturezas, a das coisas e a dos homens.
É domingo, um dia que me obrigo a viver como deve ser vivido: longe de planos de aula, avaliações, relatórios. Tirei 24 horas de folga: ontem me dei ao luxo de descansar à tarde, me espreguiçar sem remorsos entre as almofadas da sala de TV e, ora dormir, ora ver um filme. E agora de manhã insisti, contra todos os montes de pastas, a não trabalhar. Por enquanto...
Também tomei o café da manhã tranquilamente, teimando; claro que com o jornal e a revista semanal me esperando na outra ponta da mesa. Fiz questão de ficar quase uma hora comendo devagar; e falando com as pessoas lindas que me acompanhavam. Pausa, caros momentos: não pensando em problemas ou tarefas da segunda-feira em diante.
Li com cuidado os e-mails da semana: um irmão me enviou texto do Arnaldo Jabor de jornal do dia 13; publicado num Português difícil, marca do escritor, para a maioria dos brasileiros, inclusive eu, consegui, acho, entender que estamos num paradoxo no Brasil. Como levar ao povão que apoia o atual governo paternalista a entender que o verdadeiro crescimento de uma nação está em trabalhar seriamente para cada um conseguir o seu lugar e pagar as contas com o suor do próprio rosto? Não é todo mundo que quer trabalhar não, pelo menos não no sentido de ter um compromisso todos os dias, regular e responsavelmente, e, muitas vezes, ter que fazer algo que exige um pouco mais de esforço não apenas físico, mas, sobretudo mental.
Tenho me deparado com essa preguiça mental por onde ando. Refletir deve doer, incomodar sei que incomoda mesmo. Não o refletir superficial, de apenas conhecer o óbvio da notícia ou do livro. Não o refletir sobre o que vemos com nossos olhares de preconceito, mas buscar a verdade, utopia, sei, de tudo o que nos cerca. Não o refletir sobre o que nos agrada, mas, sobretudo sobre o que não nos agrada: pode estar aí a resposta para muitos dos nossos desentendimentos.
No geral, vivemos ilusões do que é real de acordo com o que nos interessa. Temos pouca visão do outro, natural, já que temos a nós mesmos para aprender e a entender. Se não nos conhecemos, e nem sei se isso se consegue um dia, conhecer o outro fica mais difícil. Conhecer o outro, o vizinho, o bairro, a cidade, o País, então, leva um bocado de tempo, esforço e vontade. Daí, voltamos à preguiça.
Além da preguiça, talvez herdada de nossos antepassados índios, ou africanos, ou europeus, a sociedade no Brasil mostra um comodismo de dar medo. Muitos se esgueiram em silêncios para não botar a mão na massa, dizer o que pensa, tomar atitudes desconfortáveis em alguns aspectos para mudar o que está errado. Pensa-se mais em manter o que se tem do que no que se pode construir para o futuro. Gosto da História para entender o mundo agora. Na aula de pós-graduação de ontem cedo falamos dela. Penso que poderia ser definida, a História, como “a soma de todos os presentes passados”. Isso para explicar que somos hoje o resultado de muita coisa feita anteriormente e é aí que vejo que a falta de ação do povo brasileiro pode trazer consequências muito sérias para os brasileiros de amanhã.
Isso penso também por outra reportagem de jornal: deputado paulista se retira da política em razão das tantas falcatruas no setor. E, vejo aqui em Brasília, além da gangorra política conhecida, e lamentada, o comércio sendo tomado por asiáticos. Nada tenho contra, mas não me furto ao fato de que são alguns bilhões de pessoas e tão trabalhadores; seria exagero prever que tomarão conta do mundo todo um dia? Taí o Tibet como exemplo.
Se voltarmos a conversa para as riquezas naturais, e refletirmos com muita insistência, vamos ver que seguem céleres as ancestrais “invasões brancas” por meio de tantas “missões”. E providências necessárias são adiadas indefinidamente porque nossos políticos atendem a interesses particulares sobrando pouco tempo para os coletivos.
Cadê os brasileiros? Cadê o povo varonil que ama tanto essa terra “verde” de paz e igualdade? Cadê os idealistas? A História também tem esse lado: mostra que quem tentou algo diferente sofreu o diabo, até morreu, e tudo ficou por isso mesmo. Saber disso pode dar medo de tentar; é, estamos tão emaranhados de medos de diferentes formatos que nos protegemos até dos nossos pensamentos.
Concluo que refletir de verdade dói mesmo. O consolo é o exemplo das paineiras rotas das alamedas brasilienses: pintam de rosa o azul transparente do céu ignorando que suas raízes se espalham nuas e desamparadas em meio a estradas, ruas e prédios em construção. Vejo que a natureza, a vida natural, está lutando, enfrentando, resistindo, e se resolvendo. Ao que encerro com os dilemas: estamos fazendo o mesmo? Afinal, temos ou não temos, nós brasileiros, futuro como Brasil?
Por Magda R M de Castro
Brasília – DF, 18 de abril de 2010.
domingo, 18 de abril de 2010
quarta-feira, 7 de abril de 2010
OS CAMINHOS DO AMOR
No final de semana prolongado fui viajar com minha irmã. Imagine horas e horas de nós duas pelas estradas do Brasil atravessando cidades, rios, matas ou descampados. A conversa girou sobre tudo, mas, principalmente, sobre nossos filhos e netos. Com a nossa idade, digo, idade de mulheres com filhos adultos já com vidas próprias, é lógico que a conversa circulou ao redor deles; acho até: ficaram com as orelhas quentes. De conquistas, desafios, desencontros, encontros falamos de nossos tesouros. Vez ou outra, falamos de nós duas: nossa história, nossos desafios, a maioria vencidos com garra e determinação. De íntimos falamos pouco. A intimidade é coisa complicada de revelar, mas um fato de que rimos muito foi quando minha irmã ficou vermelha que nem um tomate: numa das reuniões de família, falou-se de sexo.
Esse é grande tabu mesmo em tempos de tantas bandeiras despregadas, mas o que sexo significa para cada um, entretanto, é outra conversa. Já de amor temos mais liberdade para falar; e olha que esse tem mais significados ainda. Agora, se o sexo mudou de tempos prá cá, com a liberdade de escolha, principalmente, o amor continua dando panos prá manga. Ele pode até acabar em sexo, ou começar com ele, mas um dia ele é invocado seja porque foi se desenvolvendo ou porque foi minguando.
Nessa viagem, fizemos tanta coisa que até parece mentira: visitas, almoços, jantares, sobe serra, desce colina, passa na poeira e escorrega no barro. E, observando bem, tínhamos mais uma companhia: o amor. Ele esteve sempre onde estávamos, em todos os momentos; em vários aspectos, de diferentes imagens. Por exemplo: no começo da viagem de ida e no começo da viagem de volta, invocamos a proteção divina: minha irmã pegou meu braço avisando: “segura o volante, não se preocupe, que vou fazer uma oração.” Em voz alta, ela discorreu sobre todos os santos e anjos; chamou os nomes dos “filhos e netos”, pediu luz para nossa aventura. Ela reza bonito, tem o jeito certo de falar com Deus através de seus santos conhecidos. A oração parecia inundar nosso pequeno carro: e os trajetos foram tão perfeitos que parecia estarmos elevadas do chão.
Em nossa cidade, visitamos diferentes lugares: uma casinha simples, uma fazenda, uma casa moderna, uma loja de amigos antigos, uma festa. Passamos juntas por ruas que nos viu andar rumo às escolas, um dia; revimos nossa Matriz, nossa Capelinha, os nossos horizontes. E conversamos muito; ora nós duas, ora com nossa mãe, ora com mais gente, irmãos, amigos, vizinhos. Se fosse contar os detalhes de tudo que fizemos em quatro dias daria um livro grosso.
Mas como disse antes, em todas as conversas tinha amor; nalgumas seu nome não foi manifestado, noutras foi escancarado. Não se falou de amor na visita ao casal com neném recém-nascido: o sentimento pairava no ar. Também não se falou de amor, ou da falta dele, onde ele não estava, mas sua falta foi sentida. Foi possível dizer “também te amo”, ou “obrigada pelo que fez por mim quando eu fazia xixi na cama”, ou “nunca me esquecei de você”, ou “sinto muito a falta de vocês: são como meus filhos...”.
Também falamos de amor com nossa querida Mãe, tão velhinha, mas que se mantém em seu mundo apesar de nossas pressões para que viva com a gente por uns tempos. Não, essa é a opinião dela, “tenho meus remédios, os exames, o controle da diabetes, quem sabem num outro dia...” E o coração da gente, apertadinho, sente que esse dia pode nunca chegar.
Voltando, fomos pegas de surpresa quando um rapaz, desses “Para e Siga” de construção de estradas, nos cumprimentou enquanto esperávamos a placa de “Siga” numa altura do caminho: “Oi, mulheres!” Simples assim, o moço disse. Nós duas, as mulheres com quem ele falava, ficamos ali, sem saber se aquilo era ruim ou bom demais: ser abordadas tão de leve, tão lindamente, sem nenhuma intenção. Ele ficou na beira da pista segurando um rádio e a placa; e nós dentro do carro, caladas e confusas: o que significa aquilo “oi, mulheres!”?
Do que falamos de amor e fé, de filhos e dos amores dos filhos durou a viagem toda. Do lado de minha irmã, a filha teve um bebê, mas dizia ser o pai apenas um amigo, logo, não queria se casar. Queria se formar primeiro. Agora, chega a formatura, o pai do bebê ronda sua vida com cuidados tanto com a menina quanto com a mãe. Há perspectivas de que uma amizade boa ampare outros sentimentos bons.
Também o filho de minha irmã espera um bebê da namorada que não namorava mais. Tinha carinho, claro, mas não o suficiente para um compromisso além. O compromisso, entretanto, de cuidar do filho que chega é um laço invisível que o segura suavemente junto à jovem. Ficarão juntos os pais desse novo ser que vem aí? Eles se amam? Perguntas que nenhuma de nós ousa sugerir respostas. Vejo que o coração de minha irmã, e o meu por tabela, crê que vencerá o melhor.
Do meu lado, admiro minha primeira filha que escolheu um companheiro e ambos andam por aí buscando os sonhos em comum. Os filhos chegaram com alegria e o dia a dia os vem envolvendo em laços de ternura. No final desse ano terminam, juntos, o mesmo curso superior, por exemplo.
A caçula daqui de casa é profundamente apaixonada por um rapaz encantado. É lindo vê-los descobrindo, juntos, o que cada um quer ser quando crescer.
A filha morena andou arredia com o namorado de muitos anos; caiu aqui, chorou ali, quicou nas paredes, fugiu. Quando cheguei em casa, na tarde dessa viagem, me disse simplesmente: “Mãe, tô vendo o fulano”. Na voz, sempre controlada, um leve colorido; algo do que eu sentia falta há algum tempo.
Um dos meus filhos se separou, no começo desse ano, de uma família mimosa. Foram meses de cuidados para não aprofundar feridas, nem de lá nem de cá, mas meu coração já pertencia a todos sem distinção e a situação estava dolorosa mesmo. Num dia qualquer, entretanto, se falaram verdadeiramente e o amor foi recordado. Se casam em breve, para fortalecer o que já era indestrutível.
Tanto amor rondando, circulando, vibrando; e fazendo vibrar tanto a quem amamos como a nossos próprios significados. O que acredito perceber é que o amor, em infinitos modelos, ainda cabe nos corações. Creio que nem mesmo a mais fina tecnologia, ou a mais cruel das intenções, tem poder eterno sobre o amor. Sua força pode ser sentida, sua ausência também, mas ele está onde deve estar; e não o vê apenas os que não se interessam por ele. Ou melhor, os que acham que não se interessam por ele. Sim, porque amor é coisa que não se precisa acreditar para sabê-lo lá, ao contrário, para saber do amor, sentir é o bastante.
Por
Magda R M de Castro
Brasília, DF, 05 de abril de 2010.
Esse é grande tabu mesmo em tempos de tantas bandeiras despregadas, mas o que sexo significa para cada um, entretanto, é outra conversa. Já de amor temos mais liberdade para falar; e olha que esse tem mais significados ainda. Agora, se o sexo mudou de tempos prá cá, com a liberdade de escolha, principalmente, o amor continua dando panos prá manga. Ele pode até acabar em sexo, ou começar com ele, mas um dia ele é invocado seja porque foi se desenvolvendo ou porque foi minguando.
Nessa viagem, fizemos tanta coisa que até parece mentira: visitas, almoços, jantares, sobe serra, desce colina, passa na poeira e escorrega no barro. E, observando bem, tínhamos mais uma companhia: o amor. Ele esteve sempre onde estávamos, em todos os momentos; em vários aspectos, de diferentes imagens. Por exemplo: no começo da viagem de ida e no começo da viagem de volta, invocamos a proteção divina: minha irmã pegou meu braço avisando: “segura o volante, não se preocupe, que vou fazer uma oração.” Em voz alta, ela discorreu sobre todos os santos e anjos; chamou os nomes dos “filhos e netos”, pediu luz para nossa aventura. Ela reza bonito, tem o jeito certo de falar com Deus através de seus santos conhecidos. A oração parecia inundar nosso pequeno carro: e os trajetos foram tão perfeitos que parecia estarmos elevadas do chão.
Em nossa cidade, visitamos diferentes lugares: uma casinha simples, uma fazenda, uma casa moderna, uma loja de amigos antigos, uma festa. Passamos juntas por ruas que nos viu andar rumo às escolas, um dia; revimos nossa Matriz, nossa Capelinha, os nossos horizontes. E conversamos muito; ora nós duas, ora com nossa mãe, ora com mais gente, irmãos, amigos, vizinhos. Se fosse contar os detalhes de tudo que fizemos em quatro dias daria um livro grosso.
Mas como disse antes, em todas as conversas tinha amor; nalgumas seu nome não foi manifestado, noutras foi escancarado. Não se falou de amor na visita ao casal com neném recém-nascido: o sentimento pairava no ar. Também não se falou de amor, ou da falta dele, onde ele não estava, mas sua falta foi sentida. Foi possível dizer “também te amo”, ou “obrigada pelo que fez por mim quando eu fazia xixi na cama”, ou “nunca me esquecei de você”, ou “sinto muito a falta de vocês: são como meus filhos...”.
Também falamos de amor com nossa querida Mãe, tão velhinha, mas que se mantém em seu mundo apesar de nossas pressões para que viva com a gente por uns tempos. Não, essa é a opinião dela, “tenho meus remédios, os exames, o controle da diabetes, quem sabem num outro dia...” E o coração da gente, apertadinho, sente que esse dia pode nunca chegar.
Voltando, fomos pegas de surpresa quando um rapaz, desses “Para e Siga” de construção de estradas, nos cumprimentou enquanto esperávamos a placa de “Siga” numa altura do caminho: “Oi, mulheres!” Simples assim, o moço disse. Nós duas, as mulheres com quem ele falava, ficamos ali, sem saber se aquilo era ruim ou bom demais: ser abordadas tão de leve, tão lindamente, sem nenhuma intenção. Ele ficou na beira da pista segurando um rádio e a placa; e nós dentro do carro, caladas e confusas: o que significa aquilo “oi, mulheres!”?
Do que falamos de amor e fé, de filhos e dos amores dos filhos durou a viagem toda. Do lado de minha irmã, a filha teve um bebê, mas dizia ser o pai apenas um amigo, logo, não queria se casar. Queria se formar primeiro. Agora, chega a formatura, o pai do bebê ronda sua vida com cuidados tanto com a menina quanto com a mãe. Há perspectivas de que uma amizade boa ampare outros sentimentos bons.
Também o filho de minha irmã espera um bebê da namorada que não namorava mais. Tinha carinho, claro, mas não o suficiente para um compromisso além. O compromisso, entretanto, de cuidar do filho que chega é um laço invisível que o segura suavemente junto à jovem. Ficarão juntos os pais desse novo ser que vem aí? Eles se amam? Perguntas que nenhuma de nós ousa sugerir respostas. Vejo que o coração de minha irmã, e o meu por tabela, crê que vencerá o melhor.
Do meu lado, admiro minha primeira filha que escolheu um companheiro e ambos andam por aí buscando os sonhos em comum. Os filhos chegaram com alegria e o dia a dia os vem envolvendo em laços de ternura. No final desse ano terminam, juntos, o mesmo curso superior, por exemplo.
A caçula daqui de casa é profundamente apaixonada por um rapaz encantado. É lindo vê-los descobrindo, juntos, o que cada um quer ser quando crescer.
A filha morena andou arredia com o namorado de muitos anos; caiu aqui, chorou ali, quicou nas paredes, fugiu. Quando cheguei em casa, na tarde dessa viagem, me disse simplesmente: “Mãe, tô vendo o fulano”. Na voz, sempre controlada, um leve colorido; algo do que eu sentia falta há algum tempo.
Um dos meus filhos se separou, no começo desse ano, de uma família mimosa. Foram meses de cuidados para não aprofundar feridas, nem de lá nem de cá, mas meu coração já pertencia a todos sem distinção e a situação estava dolorosa mesmo. Num dia qualquer, entretanto, se falaram verdadeiramente e o amor foi recordado. Se casam em breve, para fortalecer o que já era indestrutível.
Tanto amor rondando, circulando, vibrando; e fazendo vibrar tanto a quem amamos como a nossos próprios significados. O que acredito perceber é que o amor, em infinitos modelos, ainda cabe nos corações. Creio que nem mesmo a mais fina tecnologia, ou a mais cruel das intenções, tem poder eterno sobre o amor. Sua força pode ser sentida, sua ausência também, mas ele está onde deve estar; e não o vê apenas os que não se interessam por ele. Ou melhor, os que acham que não se interessam por ele. Sim, porque amor é coisa que não se precisa acreditar para sabê-lo lá, ao contrário, para saber do amor, sentir é o bastante.
Por
Magda R M de Castro
Brasília, DF, 05 de abril de 2010.
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